terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Dom Pedro Casaldáliga recebe homenagem pela defesa dos índios xavante


Bispo emérito de São Felix do Araguaia, Casaldáliga teve que mudar do município após receber constantes ameaças de morte; Hoje vive sob proteção policial

Da Redação BRASIL DE FATO

   
   
Além de Cadaldáliga, outras lideranças estão sendo ameaçadas de morte em razão da 
devolução de terras aos xavante - Foto: Reprodução
 
O bispo emérito de São Felix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, será homenageado na próxima quinta-feira (07), às 19h, no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo (SP), por sua luta em defesa dos direitos da população indígena da etnia Xavante. O bispo de 84 anos teve que se afastar do município de Mato Grosso no final do ano passado, após receber constantes ameaças de morte. No dia 29 de dezembro regressou a São Félix e agora vive sob proteção policial.

O afastamento da região para uma localidade não revelada por motivos de segurança causou perplexidade e estimulou o apoio de organizações da sociedade civil e da Igreja Católica, como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Reconhecido como crítico da ditadura civil-militar (1964-1985), Casaldáliga está no Brasil desde 1968 e defende a devolução das terras batizadas como Marãiwatsédé aos indígenas xavantes. Além dele, outras lideranças – entre indígenas e agentes ligados à Igreja – estão sendo ameaçadas de morte desde que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) começou o processo de retirada de não-índios do território Xavante.

A homenagem da próxima quinta é encabeçada pelo Comitê de Solidariedade a Dom Pedro Casaldáliga e ao Povo Xavante.

A Terra Indígena

A terra Marãiwatsédé tem 165.241 hectares e está localizada entre os municípios de São Félix do Araguaia, Alto Boa Vista e Bom Jesus do Araguaia, no Mato Grosso. De acordo com estudos antropológicos, ela sempre foi ocupada por indígenas até que, no ano de 1966, aviões da Força Aérea Brasileira realizaram o deslocamento forçado dos nativos para a Missão Salesiana São Marcos, a 400 quilômetros dali. No novo local, dois terços dos indígenas acabaram sendo dizimados devido a um surto de sarampo.

Segundo a Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo, o deslocamento forçado foi influenciado pela família Ometto, detentora de terras na região. Os hectares indígenas foram tomados pela família que, em 1980, os negociou com a empresa italiana Agip Petróleo. Depois de pressão internacional, a empresa informou durante a ECO 92 que devolveria as terras aos nativos. Entretanto, o gerente da fazenda, Renato Grilo, por meio de articulações com políticos locais, incentivou a ocupação das terras pela população não indígena.

Atualmente, a terra Marãiwatsédé tem 61,5% do território desmatado e é ocupada, fundamentalmente, por grandes proprietários de terras. Vale citar o ex-vice-prefeito de Alto da Boa Vista, Antonio Mamede Jordão, dono da Fazenda Jordão com 6.193 hectares; o ex-prefeito do município de Alto Boa Vista, Aldecides Milhomem de Cirqueira, que possui seis fazendas, num total de 2.200 hectares; e o desembargador do Tribunal de Justiça do Mato Grosso, Manoel Ornellas de Almeida, cuja fazenda tem 886,8 hectares.

Homologada como área indígena em 1998, é a que registra o maior desmatamento na Amazônia Legal. Em 2010, a Justiça Federal determinou a saída dos não índios das terras, em decisão unânime.


Com informações da Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo

   
Indígenas xavantes foram tirados à força
de seu território em 1966 - Foto: Divulgação
   





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